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A conexão argentina

Alexandre Kraemer

No final do século XIX, um alfaiate luxemburguês empreendeu uma misteriosa jornada que mudaria a história de sua família. Seu destino era a Argentina mas ele e sua família terminariam suas vidas no Brasil. O livro "Família Pierret" tenta esclarecer aspectos desconhecidos das migrações luxemburguesas para o Brasil documentando a história de uma entre tantas famílias de migrantes típicas da época. 

Documentário completo baseado no livro (legendas em português)

Nossos primeiros patrocinadores nos ajudaram a conclui o documentário "A Noiva de Preto" baseado no livro "Família Pierret". Participe agora da nova fase de nossa "vakinha" e nos ajude a legendar o documentário e a traduzir o livro. O link para participar é http://vaka.me/1203376

Migração luxemburguesa para o Brasil

O autor de "Família Pierret", Alexandre Kraemer, esclarece nesta entrevista os principais pontos do livro que mescla duas histórias. Ao mesmo tempo que narra como os documentos foram descobertos, faz a contextualização dos fatos históricos gerais com a jornada particular da família Pierret e sua misteriosa conexão com a Argentina.
A família Schmidt Kraemer
O tradutor Gerhard Ott
A prima de "última hora"

1) Qual foi o ponto de partida?

Eu me envolvi no projeto no natal de 2017. Comecei a trabalhar sobre documentos obtidos por meu pai, Rudi, e minha irmã, Anelise, em uma pesquisa que já durava 13 anos.

2) E a estratégia?

De início baseava-se apenas em inserir dados na árvore criada por meu pai no aplicativo web Myheritage. O golpe de sorte foi ter adicionado fotos do arquivo pessoal de minha mãe, Clarisa Schmidt Kraemer, aos registros já criados porque chamou atenção de uma prima em Paris, Magda Schmidt. Uma das fotos era justamente do casamento de nossa bisavó que, curiosamente, se vestia de preto, uma tradição do Luxemburgo na época. Ela nos apresentou a Luciano Schmidt, outro primo que já pesquisava há anos o ramo dos Schmidt e que juntou centenas de documentos, mas ainda nada a respeito da nossa bisavó. Todos trabalhavam em separado, mas apenas quando nos descobrimos e reunimos esforços é que as pesquisas frutificaram nas descobertas no Luxemburgo. 

3) Além de certidões de nascimento, óbito e casamento, como encontrou os registros de viagem e documentos correlatos?

Aconteceu nas redes sociais, a partir de outras fotos postadas por Anelise, minha irmã. Algumas primas, por nós desconhecidas até então, entraram em contato. A troca de informações nos levou à Argentina. Assim, identificamos o navio e a data de chegada. Então, pesquisamos jornais da época para determinar a data de partida, já que o porto de Antuérpia não preservou as listas de embarque.

4) Fizeram busca "in loco" de documentos?

As descobertas mais importantes vieram de respostas a mensagens que enviamos a dezenas de comunas no Luxemburgo. Mais tarde refinamos a pesquisa e encontramos muitos documentos no aplicativo web Family Search

Fizemos até testes de DNA e uma das primas localizadas por este método foi Sônia Brasseur, da Bélgica, que ajudou a elucidar a história de um dos tataravós. Ao visitar locais históricos conseguimos também encontrar sepulturas na Europa e fotos na Argentina do que viria a ser a colônia luxemburguesa um ano antes da chegada dos colonos.

Nossa consultora, Katiane Junckes Gelsleuchter, ficou impressionada com nossa agilidade na obtenção dos documentos. Facilitou bastante o processo de recuperação.

5) Chegaram a entrevistar testemunhas?

Estamos falando de uma história do final do século XIX. Os primeiros contatos foram Telmo e Ione Müller. A testemunha viva mais próxima dos fatos relatados é a filha mais nova de minha bisavó (Anna Strassburger) que foi entrevistada por Adriano Strassburger. Foi com os Strassburger que Adriano Schmidt obteve a foto do casal Pierret, capa do livro. Também graças ao casal Telmo Müller e Ione (ele, primo de minha mãe), encontramos descendentes de Susanne Pierret, irmã mais velha de minha bisavó. Talvez a descoberta mais importante tenha vindo do testemunho de Manon Pierret e Silvia Melchior Seibert, ambas primas que nos contactaram via rede social. Foi a partir delas que começamos a estudar a conexão argentina. Um episódio que marcou bastante e merecia um livro à parte foi a juntada de documentos em cima da hora para Cíntia Müller Fuchs, pois o prazo para recuperação da cidadania luxemburguesa findava em dezembro de 2018. Dezenas de outros a ela se juntaram também de última hora e uma das mobilizações foi feita por Jociely Priscila Schmidt via aplicativo de mensagens. Infelizmente, um dos ramos da família (o de Susanne Pierret) só foi encontrado após o prazo limite para a recuperação da cidadania, embora ainda reste a oportunidade de opção pela cidadania dos netos ainda vivos, o que, de certa forma, pode garantir a cidadania dos descendentes se houver interesse da parte deles. Há iniciativas no legislativo do Luxemburgo para ampliar os prazos de recuperação.

6) O que podemos esperar para o futuro?

Transcrevemos e traduzimos, com a ajuda de Gerhard Ott, menos de 10% dos documentos reunidos nos 15 anos de pesquisa até aqui. E ainda buscamos por documentos como o nascimento e óbito do primogênito de Dominique Pierret e o nascimento de Susanne Pierret.

Estamos curiosos para pesquisar também a relação entre o hunsriqueano riograndense (ensinado em escolas do Rio Grande do Sul) e o luxemburguês, ambos com raízes no moselle franconiano que está, por sua vez, na origem do alemão moderno.

Acreditamos que os luxemburgueses tiveram papel central na manutenção dessa língua no Rio Grande do Sul porque reportagens recentes no Luxemburgo relatam a similaridade entre a língua falada no Brasil e o luxemburguês. Nativos de lá compreendem bastante bem os gaúchos que falam hunsriqueano riograndense, muito "similar" ao alemão para os brasileiros.

O autor em momento de descontração durante as buscas em Benito Juárez

Os entrevistados

Mais primos de "última hora"

A descoberta do ramo de Susanne Pierret

Faça parte dessa história

As descobertas ainda não terminaram. Estamos pesquisando muitos pontos não esclarecidos e você pode fazer parte disso.


Se você tem interesse em contribuir com documentos, esclarecer pontos duvidosos, ou apenas quer ajudar a corrigir qualquer dos fatos narrados, por favor, entre em contato. Teremos o maior prazer em atendê-lo. Faça parte e ajude a escrever a história do povo luxemburguês! Lembramos que os 400 exemplares do autor serão doados a instituições que manifestarem interesse. Todo o lucro obtido com a venda dos livros será utilizado na tradução para o inglês e espanhol, além das línguas oficiais do Luxemburgo (alemão, francês e luxemburguês).

Bastidores

Eventos & Programação

A pré-venda do livro teve início em 01 de fevereiro de 2020 nesses links: 

LisbonSaraiva, Travessa, Paulista, Cultura e Amazon.

Assista à nossa entrevista junto à ACLUX, gravada em 16 de julho de 2020. Vamos contar juntos nossas histórias e honrar nossos antepassados! Clique na imagem ao lado para chegar ao vídeo.

Assinamos em 13 de agosto de 2020 o contrato para a produção do roteiro do documentário sobre o livro. Na foto, da esquerda para a direita, Kathlen Ferrari, Izabelle Ferrari e Alexandre Kraemer.

Dia 06 de dezembro de 2020 foi gravada a cena do casamento de nossa noiva de preto, Marie Pierret e seu esposo Ricardo Schmidt. Ao lado um flagrante da cena principal. O documentário será lançado no início de 2021.

Jornal de Sinimbu

O livro foi objeto de matéria jornalística no jornal de Sinimbu, Rio Grande do Sul, em 04 de abril de 2021. Dominique Pierret foi alfaiate em Sinimbu e tanto sua esposa quanto uma de suas filhas estão sepultadas no cemitério da cidade. 

Em maio de 2021 o documentário ganhou um trailer . Além disso está sendo legendado em várias línguas para que seu alcance seja ainda maior. 

O trailer e o documentário foram lançados na semana em que se comemorou o dia nacional do Luxemburgo, em junho de 2021. Foi durante a live da ACLUX.